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A população de Loulé compareceu em massa à cerimónia
de inauguração do novo Arquivo Municipal, no passado sábado, que contou com a
presença do Presidente da República. De regresso à terra natal, Cavaco Silva
elogiou o trabalho que tem sido levado a cabo neste Concelho, em prol do
desenvolvimento e modernização, “a afirmação da sua centralidade regional,
entre o mar e a serra” e deixou uma palavra especial para a preocupação da Autarquia
para com a preservação e valorização do património histórico da cidade.
Tal como referiu o representante máximo da Nação, o
Arquivo Municipal é bem exemplo dessa preocupação, já que se tratou da
recuperação de um edifício antigo, situado na Rua Sacadura Cabral, e que foi
adquirido pela edilidade por cerca de 150 mil euros.
Cavaco Silva salientou igualmente a importância de um
arquivo enquanto “memória dos processos e decisões”. “É muito importante saber
aquilo que fomos, aquilo que somos, para melhor pensarmos aquilo que queremos
ser, para haver uma estratégia correcta de desenvolvimento”, afirmou o
Presidente da República que considerou ainda que este dia e este Arquivo “vão
ficar na memória que queremos transmitir aos nossos filhos, aos nossos netos e
às populações vindouras”.
O presidente da Câmara de Loulé corroborou das
palavras dos seu conterrâneo e perante uma assistência que contou com a
presença do Secretário de Estado da Cultura e do Subdirector do Instituto dos
Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, entre representantes de outras entidades.
“Este é um projecto que se entende como motor de recuperação e desenvolvimento
de uma zona da cidade algo descaracterizada pelas vicissitudes do tempo.
Assume-se, neste sentido, como um pólo de irradiação reabilitadora
transformando-se, ao mesmo tempo, num instrumento de afirmação de uma política
de preservação do património cultural e da história local”, afirmou.
Como tal, Seruca Emídio referiu outros exemplos do
que tem sido feito ao nível da revitalização do património histórico como as
intervenções nas aldeias de Alte e Querença, a recente remodelação do Mercado
Municipal, a recuperação e valorização da Muralha do Castelo de Loulé e os
trabalhos arqueológicos que aí têm sido levados a cabo, as obras de recuperação
em curso na Ermida da Nossa Senhora da Conceição (Prémio Igreja Segura), bem
como outras remodelações como a do Cine-Teatro (que terá início ainda este
ano), do Palácio Gama Lobos, do Convento de Stº António ou do edifício da Santa
Casa da Misericórdia.
Mas, de acordo com o autarca, “estas e outras
iniciativas na reabilitação de espaços públicos, ou de reorganização das nossas
cidades só serão consistentes se o Estado aparecer como parceiro privilegiado
numa qualquer versão do ‘Programa Polis’ que como sabemos se aproxima da sua
segunda geração”.
No dia em que muito se falou da preservação da
memória colectiva, o líder do executivo municipal aproveitou esta oportunidade
para reforçar a ideia de coesão do Concelho de Loulé e do equilíbrio litoral/interior.
“Move-nos o desejo de valorização da nossa identidade, sabendo que ela
contribui para a coesão social e para a inclusão territorial que queremos
preservar”, frisou.
Nesse sentido, referiu algumas das suas preocupações,
nomeadamente a desertificação das zonas do interior, “os projectos de grande
expressão nacional mas com reduzida componente local”,.”os idosos, as famílias
e as crianças, os jovens e a solidariedade entre gerações, o fenómeno dos
movimentos migratórios tão presentes em Almancil e Quarteira, o desafio da
igualdade de oportunidades e a capacidade de promoção da cidadania”.
Para fazer face aos problemas, Seruca Emídio defendeu
a ‘descentralização’ como ”um processo decisivo de institucionalização da
democracia”.
Arquivo virado para a modernidade
O Arquivo Municipal de Loulé nasce no âmbito do
Programa PARAM do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, através da
candidatura ao PROALGARVE.
O novo edifício localiza-se num imóvel situado na Rua
Sacadura Cabral, antiga Rua Ancha, onde em tempos funcionou uma Escola
Primária. Uma vez que esse imóvel data do início do século XIX e toda a
estrutura é característica das famílias aristocráticas da sociedade louletana
desta época, o programa de reabilitação do edifício respeitou integralmente
toda a carga histórica dessa linguagem arquitectónica.
O edifício é simples na sua composição funcional,
permitindo a boa coordenação entre os diferentes espaços constituintes.
O novo Arquivo Municipal de Loulé é composto por três
pisos. A cave integra dois grandes depósitos, permitindo a existência de um
volume documental de 4.406.00 ml.
No rés-do-chão haverá um depósito com capacidade para
1090 ml de arquivo, cais de descarga e sala de restauro. Na zona Sul
localizam-se dois gabinetes, sala do pessoal, instalações sanitárias e sala
polivalente com capacidade para cinquenta pessoas sentadas, permitindo, assim,
a possível existência de pequenos colóquios ou cursos referentes à actividade
do Arquivo.
Finalmente, no 1º andar ficará situada a sala de
leitura com capacidade para 16 lugares sentados, secretaria, gabinete do
director e dois depósitos com 773 ml de arquivo.
Tendo em conta a especificidade dos serviços
prestados por um arquivo junto da população, a Câmara de Loulé apetrechou esta
infra-estrutura com equipamento técnico e informático inovador que vai permitir
o desenvolvimento das actividades do Arquivo, “respondendo aos novos desafios
que os Arquivos Electrónicos nos colocam e que se tem vindo a constituir como
um tema de grande actualidade em todos os países europeus”.
Simultaneamente, o edil acredita que esta nova
infra-estrutura “deverá também convocar um modelo de orientação e intervenção
mais administrativo, funcionando como um instrumento para a Governação
Autárquica, enquanto depositário fundamental da documentação corrente ou
recente”.
Esta obra teve um custo total de mais de 1.150 000 €.
06-08-2007
GCRP/RP
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