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António Aleixo

Nascido em Vila Real de Santo António em 1899, veio a falecer em Loulé em 1949, local para onde foi viver com a família aos 7 anos de idade. É, hoje, um símbolo da cidade, onde “convida” cada visitante para a  sua mesa no Café Calcinha.

António Fernandes Aleixo começa cedo a destacar-se, aos 10 anos fazia quadras de improviso nas janeiras. Desde cedo, o jovem Aleixo mostrou-se atento ao mundo que o rodeava, seguiu as pisadas do pai e foi aprendiz de tecelão. Aos 11 anos assiste à implantação da República e identifica-se com os valores da igualdade, fraternidade e liberdade.

Prestou serviço militar em Faro, ingressando depois na Polícia de Segurança Pública da mesma cidade, mas o poeta não se revia nessa função, pelo que passados 18 meses termina essa missão. Nesse ano, 1924, casa com Maria Catarina Martins, nascendo dessa união seis filhos. Num Portugal pobre, com um regime totalitário, Aleixo emigra quatro anos depois para França, onde permanece três anos. De regresso a Loulé, ganha, cada vez mais, popularidade pelo seu pensamento e pela sua expressão, com uma poesia de “improviso”. Algumas das suas quadras, mais espontâneas, começaram a andar de boca em boca, e por isso em 1937, nos Jogos Florais de Faro, onde foi premiado, conhece um homem que o iria ajudar a voar mais alto e a dar-lhe novos palcos - Joaquim Magalhães, casado com a louletana D. Célia de Magalhães e Reitor do Liceu de Faro, começa a registar as quadras de Aleixo, tornando-se um dos seus principais divulgadores. O poeta com orgulho dizia: "Não há nenhum milionário/ que seja feliz como eu:/ tenho como secretário/ um professor do liceu" , com a ajuda do Dr. Magalhães Aleixo publica em vida três livros: Quando começo a cantar (1943); Intencional (1945) e Auto da Vida e da Morte (1948) – no ano a seguir à sua morte é publicado o Auto do Curandeiro e o Auto do Ti Joaquim.

No ano da edição do primeiro livro, a Tuberculose, doença muito comum, ataca-o e leva-o ao Sanatório de Coimbra onde conhece Paulo Quintela, Tóssan  (também internado) e Miguel Torga, dedicando, a este último um poema: “Por não ter outros melhores/ Este meu livrinho ofereço/ Ao maior entre os maiores/ Poetas que eu conheço”, como refere na carta que envia a 24 de Fevereiro de 1949 - de Coimbra - a Joaquim Magalhães.

Aleixo era um artista e um humanista, o poeta define artista como: “Ser artista é ser alguém!/ Que bonito é ser artista.../ Ver as coisas mais além do que alcança a nossa vista!”, coincidindo com a leitura que Graça Dias Silva faz do poeta e da sua obra – um Homem que, apesar das adversidades da vida, ama o progresso e sonha com um novo mundo.

Em 1969 é reunida toda a obra (ou quase) no livro Este livro que vos deixo… passados mais de sessenta anos da sua morte, Aleixo continua vivo como exemplo de integridade, de alerta, de justiça e de inspiração para os louletanos e todos os que com ele se cruzam no café “Calçinha”.

 

Obras principais:

Quando Começo a Cantar (1943)
Intencionais (1945)
Auto da Vida e da Morte (1948)
Auto do Curandeiro (1950) edição póstuma
Este Livro que vos Deixo (1969) edição póstuma
Inéditos (1979) edição póstuma