Site Autárquico Loulé

2016

  • Lídia Jorge (1946-)

    Agraciado com a Medalha de Honra do Município de Loulé

     

    Lídia Jorge

    Escritora

     

    Natural de Boliqueime, Concelho de Loulé, onde nasceu a 18 de junho de 1946, Lídia Jorge licenciou-se em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

    Foi professora do Ensino Secundário e, nessa condição, passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, durante o último período da Guerra Colonial, mas a maior parte da sua carreira docente foi em Portugal.

    Lídia Jorge estreou-se com a publicação de O Dia dos Prodígios, em 1980, um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa Pós-Revolução. Desde então tem publicado vários títulos nas áreas do romance, conto, ensaio e teatro. Em 1988, A Costa dos Murmúrios, livro que reflete a experiência colonial passada em África, abriu-lhe as portas para o reconhecimento internacional, tendo sido posteriormente adaptado ao cinema por Margarida Cardoso.

    Entre muitos outros, são de realçar títulos como O Vale da Paixão, O Vento Assobiando nas Gruas, Combateremos a Sombra ou o seu romance mais recente, Os Memoráveis, obra que tem sido considerada como uma poderosa metáfora da deriva portuguesa das últimas décadas. Aos seus livros têm sido atribuídos os principais prémios nacionais, alguns deles pelo conjunto da obra, como o Prémio da Latinidade, o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores – Millenium BCP, ou mais recentemente o Prémio Vergílio Ferreira de 2015. No estrangeiro, entre outros, Lídia Jorge venceu em 2006 a primeira edição do prestigiado prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e, em 2015, o Grande Prémio Luso-Espanhol de Cultura.

    O Amor em Lobito Bay é a sua obra mais recente, lançada em abril de 2016. Os seus romances encontram-se traduzidos em mais de vinte línguas, e constituem objeto de estudo nos meios universitários portugueses e estrangeiros, tendo-lhes sido dedicadas várias obras de carácter ensaístico.

    A 9 de março de 2005, o Presidente da República, Jorge Sampaio, condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. O Presidente da República Francesa, Jacques Chirac, a 13 de abril de 2005, condecorou-a como Dama da Ordem das Artes e das Letras de França, sendo posteriormente elevada ao grau de Oficial.

  • Casimiro de Brito (1938-)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    Casimiro de Brito

    Poeta, romancista, contista e ensaísta

     

    Poeta, romancista, contista e ensaísta, Casimiro de Brito nasceu em Loulé, a 14 de janeiro de 1938, e estudou em Faro e em Londres. Depois de uns anos na Alemanha passou a viver em Lisboa.

    Teve várias profissões e acabou a sua carreira fora da Literatura como diretor de um banco. Atualmente dedica-se exclusivamente à escrita.

    Começou a publicar em 1957 (Poemas da Solidão Imperfeita) e, desde então, lançou mais de 40 títulos. Dirigiu várias revistas literárias, entre elas Cadernos do Meio-Dia (com António Ramos Rosa), os Cadernos Outubro/ Fevereiro/Novembro (com Gastão Cruz) e Loreto 13 (órgão da Associação Portuguesa de Escritores).

    Atualmente é responsável pela colaboração portuguesa na revista internacional “Serta”.

    Esteve ligado ao movimento Poesia 61, um dos mais importantes da poesia portuguesa do século XX.

    Ganhou vários prémios literários, entre eles o Prémio Internacional Versilia, de Viareggio, para a “Melhor obra completa de poesia”, pela sua Ode & Ceia (1985), obra em que reuniu os seus primeiros dez livros de poesia.

    Colabora nas mais prestigiadas revistas de poesia e tem obras suas incluídas em mais de 238 antologias, publicadas em vários países.

  • Abreu e Silva (1923-2016)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    Abreu e Silva

    Médico

     

    Filho de Sabino Augusto da Silva e de Pureza de Jesus Pinto d’Abreu e Silva, Jorge Augusto Pinto d’Abreu e Silva, natural de Coimbra, freguesia de Santa Cruz, nasceu a 5 de junho de 1923 e faleceu a 10 de abril de 2016.

    Entre 1941 e 1946 frequentou o curso de Medicina da Universidade de Coimbra, concluindo-o com 19 valores. Realizou estágio no Hospital da Universidade de Coimbra e, a 6 de agosto de 1946, inscreveu-se na Ordem dos
    Médicos.

    Em 1948 inicia a carreira de clínico em Alte, por indicação do médico Rocheta Cassiano, e, um ano depois, instala-se em Loulé, com consultório na Praça da República. Desenvolveu a sua prática profissional durante 64 anos em Loulé,
    teve consultório nas ruas Ascensão Guimarães e José Afonso.

    Em 1949 cruza-se com o poeta António Aleixo em Loulé mas já em 45, como presidente da Comissão de Propaganda da “Queima das Fitas de Coimbra”, teve de deslocar-se ao então Sanatório dos Covões para tratar de assuntos relativos ao cartaz da festa, com o seu autor – o Tóssan – e, por seu intermédio, conheceu de passagem o poeta popular, que lá estava internado.

    Foi médico da Casa do Povo de Alte, foi médico legista (Medicina Legal) e esteve, ainda, ligado ao Hospital da Misericórdia de Loulé, com o médico Bernardo Lopes, onde também exerceu a sua profissão.

    Manteve sempre uma forte ligação a Alte, que considerava “uma terra de afetos” até porque foi aí que conheceu a sua esposa. Mesmo após ter saído para Loulé, por influência de Bernardo Lopes e do senhor Amadeu, continuou a dar consultas duas vezes por semana na antiga Casa do Povo de Alte.

    Nos anos de 1957 a 1959 trabalhou no IPO de Lisboa. Nos anos seguintes, ao abrigo de um programa, exerceu funções no Hospital da Universidade de Boston, na especialidade de Cirurgia Plástica. Por motivos familiares, acabou por regressar a Portugal.

    Exerceu medicina do trabalho na CIMPOR, tendo apresentado alguns estudos sobre as patologias ligadas ao cimento, poeiras e infeções respiratórias.

    Apaixonado pelas novas tecnologias, foi pioneiro na informatização do seu consultório e das fichas dos seus doentes, tendo-se empenhado também na aquisição de equipamento moderno como um aparelho de radioscopia e de um eletrocardiógrafo.

    Foi autor das crónicas “Histórias do Sul”, um conjunto de textos sobre a sua vivência que enviava aos colegas de curso. Nos tempos livres dedicava-se à poesia, fotografia e cinema amador. Dotado para a escrita, foi autor de muitas poesias para os livros de curso dos seus colegas. Essas poesias foram compiladas e publicadas, numa edição restrita para a família e amigos.

    No ano de 1966 fez um pequeno filme documentário sobre a aldeia de Alte, que foi apresentado no Pólo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte, a 3 de dezembro de 2011.

    Adepto fervoroso da Académica de Coimbra, chegou a integrar a equipa de futebol deste clube.

  • INUAF - Instituto Superior D. Afonso III

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    INUAF - Instituto Superior D. Afonso III

    Instituto universitário

     

    O Instituto Superior Dom Afonso III (INUAF), estabelecimento de ensino universitário, de serviço público, inserido na rede nacional de ensino superior, foi criado pela CEUPA, Cooperativa de Desenvolvimento Universitário e Politécnico do Algarve, por Decreto-Lei de 1997. Resultou da convergência de interesses e preocupações, nomeadamente do objetivo estratégico do Município de Loulé de instalação do ensino superior universitário no Concelho e, por outro lado, do desejo de um conjunto de professores universitários, residentes no Algarve ou com estreitas ligações a esta região, que constituíram a CEUPA.

    Dentro deste quadro de preocupações, a CEUPA estreitou relações e assinou um convénio de colaboração com a Câmara Municipal de Loulé, considerando que esta era a cidade que tinha uma posição mais central no Algarve, oferecendo melhores acessos, e em que as atividades culturais apresentavam uma maior relevância na região.

    Estabeleceu, ainda, protocolos de cooperação com todos os municípios algarvios e alguns do Baixo Alentejo, para além de protocolos de cooperação com 44 universidades, entre quais, a nível nacional, as do Algarve, Beira Interior, Évora, Lisboa, Coimbra, Aveiro e Aberta, e a nível internacional, a Estadual de Montes Claros, Estado de Santa Catarina – Florianópolis, Leipzig, West Hungarian, Vytautas Magnus University, Orleans, Bordéus, West Bohemia, Akdemiz, São Paulo, Huelva, Sevilha, Extremadura, Valência, Málaga, Las Palmas da Gran Canária, Surrey - UK , bem como diversas outras instituições de ensino superior e de investigação e desenvolvimento, nacionais e estrangeiras, além de mais de 60 escolas de diversos níveis, ensinos básico, secundário e conservatórios, 40 instituições de solidariedade social, 14 organismos oficias, entre os quais o Exército Português, 10 associações empresariais e profissionais, diversas associações desportivas, algumas juntas de freguesia e mais de 80 empresas.


    Desde o início da sua atividade, o INUAF criou e desenvolveu três Centros de Investigação, onde colaboraram mais de uma centena de cientistas nacionais e estrangeiros, e lançou a Revista Científica INUAF STUDIA, publicada regularmente em papel até 2014 e online a partir desse altura, tendo atingido o exemplar nº 18.

    Esta revista está internacionalmente cotada no Catálogo Latindex.

    O Instituto procurou sempre desempenhar um papel social ativo, coerente com o seu estatuto de instituição de Interesse Público, nomeadamente na prestação de serviços à comunidade e de extensão universitária, na participação em projectos de I&D e em estudos, privilegiando para isso uma forte ligação informal ou protocolar a empresas, associações empresariais, instituições culturais, de ensino e investigação e desportivas, sendo ainda de referir a colaboração no Plano Estratégico de Desenvolvimento do Município de Tavira.

    A CEUPA decidiu proceder, nos termos da lei, ao encerramento voluntário do INUAF – Instituto Superior Dom Afonso III, a partir de 31 de dezembro de 2016. Esta decisão foi homologada por Despacho do Secretário de Estado do Ensino
    Superior.

    Formou para o Algarve, para o país, e para vários países da Europa e de África falantes de português, muitos quadros superiores bem preparados, nomeadamente: 2302 Licenciados, 415 Mestres e 596 outros Pós-Graduados.

    Além disso, durante estes anos, 47 docentes e investigadores do INUAF realizaram o seu doutoramento, contribuindo decisivamente para os altos padrões de qualidade alcançados na docência e na investigação, bem como para o incremento do potencial científico nacional e para o seu próprio desenvolvimento pessoal, como atestam os relatórios anuais publicados.


    Os estudantes do INUAF, ao longo dos anos, criaram e desenvolveram uma Tuna Académica de grande qualidade e prestígio, que continua em franca atividade e sobrevive à instituição.

    Contribuiu direta e indiretamente para o desenvolvimento e melhoria de qualificações em muito setores do Concelho, inclusivamente no autárquico, ao nível da qualidade dos serviços prestados.

  • Joaquim Vairinhos (1944-)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    Joaquim Vairinhos

    Ex-Presidente da Câmara Municipal de Loulé

    Joaquim Manuel dos Santos Vairinhos nasceu em Loulé, no Largo da Graça, a 17 de maio de 1944. Filho de uma família humilde - seu pai foi jardineiro na Câmara, sua mãe auxiliar educativa - bem cedo demonstrou a sua capacidade pelas atividades desportivas e pela vontade de representar o principal clube da terra, o Louletano Desportos Clube.

    Aluno do Magistério Primário de Faro na década de sessenta, desempenhou diversas funções de carácter administrativo e pedagógico no Ministério da Educação: Delegado Escolar, Coordenador de Educação Física para o Ensino Básico, Orientador Pedagógico no distrito de Faro, Inspetor Orientador na região do Algarve e regente de Língua e Cultura Portuguesas na cidade de Rouen, Normandia.

    Dedicado ao Concelho de Loulé promoveu e colaborou no desenvolvimento de várias atividades e associações desportivas e culturais, nomeadamente do Clube de Ténis, Rugby Clube de Loulé e Casa da Cultura de Loulé.

    Com uma atividade política intensa, foi presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista em Loulé, Secretário Regional do PS Algarve e membro da Comissão Política

    Nacional do PS.

    Desempenhou funções de Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Loulé no período de 1985 a 2000.

    Representou a Região do Algarve, nos anos de 1994 a 1999, no Comité das Regiões da União Europeia, e foi Deputado ao Parlamento Europeu, nos anos de 1999 a 2004.

    Aos 65 anos regressou à escola como aluno no Mestrado de Gestão Ambiental do Instituto Dom Afonso III, sedeado em Loulé, onde terminou uma pós graduação em Gestão

    Ambiental.

    Atualmente Joaquim Vairinhos reside em Quarteira onde se dedica à escrita, tendo publicado já vários livros de poesia.

  • José Cavaco (1937-1913)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     A título póstumo

     

    José Cavaco

    Ex-Presidente da Câmara Municipal de Loulé

     

    José António Guerreiro Cavaco nasceu a 19 de março de 1937, em Salir. A par de um importante percurso no dirigismo desportivo, destacou-se igualmente na vida política.

    Foi membro da Assembleia de Freguesia de Salir, de 1976 a 1979, Deputado Municipal de Loulé, de 1979 a 1982, e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Loulé, de 1982 a 1985.

    No mandato de 1985 a 1989 foi Presidente desta Autarquia. Enquanto autarca, destaca-se o papel que teve na continuidade e na criação das infraestruturas, ao tempo ainda tão precárias, desde a distribuição de água e eletricidade na serra algarvia até ao saneamento básico das localidades turísticas do litoral e que estão na origem do desenvolvimento que atualmente se reconhece no Concelho de Loulé. Empenhou—se no alargamento e rasgar de novas estradas e caminhos que aproximaram substancialmente o interior ao litoral do Concelho.

    Aliando ao gosto pelo desporto a preocupação em contribuir para a ocupação saudável dos tempos livres dos jovens do Concelho, destacou-se igualmente na implementação de infraestruturas desportivas, nomeadamente com a inauguração do complexo exterior das Piscinas Municipais de Loulé, a criação de um campo de futebol em cada freguesia do Concelho e alguns parques polidesportivos dos quais se destaca o Complexo Desportivo de Salir. Foi também no seu mandato, e sob sua orientação, que a Autarquia de Loulé foi pioneira a nível do país na atribuição de bolsas a alunos carenciados para prosseguimento de estudos nas universidades do país.

    Foi Governador Civil de Faro, entre 2 de agosto e 17 de novembro de 1995.

    Enquanto dirigente desportivo, ainda na sua juventude, exerceu funções diretivas em pequenos clubes do Algarve. Na década de setenta foi destacado dirigente desportivo em Angola, onde contribuiu para a criação de diversas estruturas desportivas e onde veio a ser selecionador de futebol de Angola.

    Posteriormente foi dirigente de outros clubes algarvios - Farense, Salir (clube do qual foi presidente), Louletano e Quarteirense, e presidiu a várias associações à escala regional e nacional. Foi uma figura marcante do futebol algarvio.

    Esteve à frente da Associação de Futebol do Algarve, entre 1999 e 2002, e foi dirigente da Federação Portuguesa de Futebol durante quase uma década. Enquanto dirigente federativo, integrou a comitiva presente no Campeonato do Mundo de Futebol de Sub-20, na Colômbia, onde Portugal alcançou o segundo lugar, tendo sido condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, a 6 de setembro de 2011.

    Colaborou com vários órgãos de Comunicação Social.

    José Cavaco faleceu no dia 3 de novembro de 2013, vítima de doença prolongada.

     

  • Francisco Rosado (1951-2015)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     A título póstumo

     

    Francisco Rosado

    Músico, Pedagogo e Professor de Flauta de Bisel e Classe de Conjunto

     

    Nasceu a 20 de Junho de 1951, filho de pai alentejano de Portalegre e mãe algarvia de Tavira, em Faro, cidade onde desenvolveu os estudos até o ensino secundário.

    No início da década de 70 tinha uma banda musical, os “Pop 70”, já bastante conhecida no Algarve.

    Recusando-se a participar na guerra colonial, Francisco Rosado exilou-se em 1971, saindo clandestinamente do país. Antifascista, iria ter o estatuto de refugiado político da ONU, na Bélgica, de que beneficiou quatro anos, depois de ter passado um ano clandestino em Paris. Chegado a Bruxelas, trabalhou nos transportes públicos, a conduzir eléctricos e metro, para angariar sustento.

    Entretanto, descobria a música de intervenção, passando dos Beatles e dos Simon and Garfunkel para a Joan Baez e Bob Dylan, em plena contestação contra a guerra do Vietname. Cantava as canções da guerra civil e da resistência espanhola, a par das canções do Zeca Afonso e de tantos outros cantautores da música antifascista portuguesa. Aprendia as canções de combate contra as ditaduras militares da América Latina. Cantava e tocava a Violeta Parra, o andino Atahualpa Yupanqui e Victor Jara, que viria a ser torturado e assassinado pela ditadura de Pinochet. Era, já então, um curioso insaciável: partia para o conhecimento de tudo o que julgasse enriquecê-lo.

    Quando, em 1975, chegou a Faro, vindo de Bruxelas, achou ser mais útil trabalhar como operário na Unicer (Loulé), a fim de fazer trabalho político junto dos operários, onde  dinamizou a Comissão de Trabalhadores. Durante o PREC e no tempo que se seguiu, foi um activista de corpo e tempo inteiros, onde a militância no PCP(R) e o activismo político era o tempo todo.

    Continuou os estudos na área da música. Fez o Curso Complementar de Flauta de Bisel do Conservatório Nacional de Lisboa. Foi aluno da Catarina Latino (já desaparecida) e do Pedro Couto Soares e participou em “master classes” com Lorenzo Alpert – no Curso de Música Antiga Ibérica, realizado na Fundação Gulbenkian, em 1984 – e Peter Holtslag – no Curso Internacional de Música Antiga na Torre de Belém, em 1991.

    É no ensino e na promoção da Música Antiga que assumirá grande destaque no Algarve: foi um dos fundadores do Grupo de Música Antiga do Conservatório de Faro, com o qual participou em numerosos concertos, ao longo dos quinze anos de actividade do agrupamento e constituiu o Consort de flautas do Conservatório Regional do Algarve Maria Campina. Teve um papel preponderante na dinamização cultural do Concelho de Loulé, na área da música, particularmente da música antiga, projectando o nome da cidade tanto ao nível nacional como internacional. A ele se deve a criação do «Encontro de Música Antiga de Loulé», um evento que conta com quase duas décadas de existência e que se tornou numa referência na programação de eventos culturais do país.

    Francisco Rosado esteve também ligado à programação dos Encontros, desde 1999, tendo sido o seu director artístico. Foi também um dos fundadores e incentivadores da continuidade da Escola de Música do Município de Loulé, onde exerceu a sua actividade docente durante 25 anos, tendo ainda na Primavera de 1988 fundado o Ensemble de Flautas do Centro de Expressão Musical de Loulé que possui vários CDs gravados.

    Foi colaborador em duas revistas da especialidade no ramo da flauta de bisel : A Flauta de Pico e American Recorder Magazine.

    Fundou e foi director artístico do “Ciclo Barroco de Faro” que teve a sua primeira edição em 2015.Leccionava Flauta de Bisel e Classe de Conjunto no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, tendo sido reconhecido como especialmente relevante o seu desempenho, que influenciou positivamente várias dezenas de alunos ao longo do seu percurso profissional. Foi grande a perda que a sua partida prematura representou para a comunidade do ensinob artístico e para a música e cultura do Algarve, particularmente para os alunos do Conservatório Regional do Algarve, onde desempenhou parte do seu percurso profissional. « Era um apaixonado acérrimo da Música, da Flauta de Bisel, da Música Antiga, da Pedagogia. Produtor e programador notável, de bom gosto, de bom trato. Notável pela quantidade de Músicos Portugueses e de Música Antiga que ajudou a crescer e a divulgar» - testemunham os colegas.

    Músico e pedagogo, Francisco Rosado era um homem bom, muito bem formado, de grande autenticidade e profissionalmente muito competente.

    Em Outubro de 2015 foi homenageado pelo Conservatório Regional do Algarve Maria

    Campina.

    A partir de 2016, o “Encontro de Música Antiga de Loulé passa a chamar-se: “Encontro de

    Música Antiga de Loulé - Francisco Rosado” por decisão da Câmara Municipal de Loulé.

    A sua biografia consta dos “Antifascistas da Resistência “.

    “Um Homem que teve um papel preponderante na dinamização cultural do nosso Concelho, na área da música, particularmente da música antiga, já que a ele se deve a criação do Encontro de Música Antiga de Loulé, um evento que conta com quase duas décadas de existência e que se tornou numa referência na programação de eventos culturais do país. Francisco Rosado foi também um pedagogo exemplar, tendo sido responsável pela formação de muitos jovens do nosso Concelho que enveredaram pelos estudos superiores e por uma carreira nesta área. É de destacar ainda o reconhecimento internacional alcançado por esta figura ímpar da nossa vida cultural, estatuto que lhe foi conferido pela dedicação e empenho na direçãoartística do Encontro de Música Antiga de Loulé”, referem os responsáveis municipais.

    Francisco Rosado deixou-nos no dia 23 de setembro de 2015, vítima de doença súbita.

    Nota: Este texto não está escrito ao abrigo do acordo ortográfico, a pedido de sua esposa.

  • Henrique Varela (1941-)

    Agraciada com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    Henrique Varela

    Padre

    Henrique Marreiros Varela nasceu a 22 de abril de 1941, em Monchique. Ingressou no Seminário de Faro a 20 de outubro de 1952, com 11 anos, e aí permaneceu durante 3 anos. Foi transferido para o Seminário de Almada onde estudou durante mais 3 anos e, posteriormente, frequentou durante 6 anos o Seminário dos Olivais em Lisboa. Terminou o Curso Teológico em 1966, ano em que foi ordenado.

    Foi pároco em Armação de Pêra durante 8 anos, ingressando depois no Seminário de Faro, onde esteve perto de 15 anos. Durante esse período licenciou-se em História. Foi responsável na Diocese pela catequese, e também deu apoio aos professores do 1º Ciclo na disciplina de Religião e Moral Católica. Foi durante algum tempo professor no Magistério Primário de Faro, na Escola Afonso III de Faro e, mais tarde, na Escola Secundária de Loulé.

    Entrou em Loulé no dia 3 de janeiro de 1968, colaborou na construção do Centro Social e Paroquial de Loulé e, juntamente com o Padre Nobre, acompanhou a conclusão da construção do Santuário da Nossa Senhora da Piedade.

    Iniciou a sua estadia com Padre Cabanita. Passado um ano, integrou uma equipa de

    colaboração a três, juntamente com o Padre Nobre e o Padre António, responsáveis também pela Paróquia de Boliqueime.

    Procurou em toda a sua ação dedicar-se especialmente às crianças e às famílias, apoiando-as socialmente, em parceria com a Câmara e outras entidades do Concelho.

    Desde 1989 que se dedica às Paroquias de São Sebastião e São Clemente. Atualmente, devido a um problema de saúde, as suas funções na Paróquia estão minoradas, mas continua responsável, em conjunto com o Padre Carlos Aquino, pelas mesmas.

    Não pediu para vir para Loulé mas também não pediu para sair de Loulé, aprendeu a gostar dos costumes e tradições e principalmente do culto à Mãe Soberana.

  • Dom José Beach Hotel

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    Dom José Beach Hotel

    O Dom Jose Beach Hotel, anteriormente designado por Hotel Toca do Coelho, foi inaugurado em 1965, com apenas 32 quartos, sendo pioneiro no Turismo Algarvio. Nesse mesmo ano, era inaugurado em Faro o Aeroporto Internacional. O Algarve começava a ganhar espaço como destino turístico, ainda que fossem poucos os hotéis na região.

    Após várias ampliações e alterações, veio a transformar-se na moderna unidade hoteleira que é atualmente, com 154 quartos, dispondo de condições que proporcionam aos seus clientes estadias agradáveis.

    Cinquenta anos passados sempre na mesma família, que continua a dedicar-se ao Turismo e que já vai na sua terceira geração.

    O Dom José Bech Hotel tem recebido ao longo dos anos vários prémios. Foi-lhe atribuído o prémio de qualidade pelo TripAdvisor e foi distinguido, nos últimos três anos, como o melhor Hotel 3 estrelas a nível nacional, o que atesta a sua qualidade e preferência de quem o visita.

    Em 2016, o Hotel foi agraciado pela Região de Turismo do Algarve com a Medalha de Mérito Turístico.

  • Sport Clube Escanchinas

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    Sport Clube Escanchinas

    Desde 1993 que o Sport Clube Escanchinas de Almancil tem vindo a desenvolver atividades recreativas e de desenvolvimento dos jovens na prática desportiva, nomeadamente através das atividades relacionadas com a pesca desportiva.

    Não obstante disso, o Clube desempenha também um papel importante relativamente aos seniores de várias faixas etárias, através da organização e da promoção da sua participação em atividades inseridas nessa modalidade, assim como na pétanca, malha, tiro com arma de precisão, tiro ao prato e BTT.

    O Clube organiza várias atividades nestas modalidades e participa e colabora também noutras provas. Aposta na organização e colaboração de atividades e eventos que promovam a saúde e o bem-estar junto da população local que, por vários motivos, se tem vindo a tornar algo sedentária e inativa.

    Assim, o Clube tem como um dos seus objetivos promover um conjunto de ações que permitam a participação ativa de todos os sócios e também da população que se sinta interessada. Parte do dinamismo, empenho e esforço evidenciado pela coletividade tem como objetivo a sua projeção e afirmação do seu Concelho através da representação dos seus atletas em competições de carácter regional, nacional e mundial.

    É na modalidade da pesca que o Clube se tem destacado. Em competições de nível mundial conta com títulos de Campeão do Mundo Individual - Seniores – 2014; Medalha de Bronze Individual - Senhoras – 2015; Medalha de Bronze Individual – Juniores U21 – 2004 e 2002; 4º lugar Individual - Senhoras – 2007; Campeão do Mundo por Equipas – Senhoras – 2008 e 2006; Campeão do Mundo por Equipas – Juniores U21 – 2004 e 2002; Vice-Campeão do Mundo por Equipas – Seniores – 2014 e 2008; Vice-Campeão do Mundo por Equipas – Juniores U21 – 2001; Vice-Campeão do Mundo por Equipas – Juniores U16 – 2006; Medalha de Bronze do Mundo por Equipas – Senhoras – 2015; 2013 e 2009; Medalha de Bronze do Mundo por Equipas – Juniores U16 – 2005; 4º lugar por Equipas – 2011 e  2007.

    Dos títulos nacionais conquistados destacam-se o de Campeão Nacional 1ª divisão – Seniores – 2015; Campeã Nacional 1ª divisão – Senhoras – 2014; 2013; 2011 e 2008; Campeão Nacional 1ª divisão – Juniores U21 – 2008; 2004; 2003 e 2002; Campeão Nacional 1ª divisão – Juniores U16 – 2006 e 2005; Vice-Campeã Nacional 1ª divisão - Senhoras – 2015 e 2007; Vice-Campeão Nacional 2ª divisão - Seniores – 2011; Vice-Campeão Nacional 2ª divisão - Clubes – 2007; 3º Classificado Nacional 2ª divisão - Seniores – 2014 e 2012. Conquistou os seguintes títulos regionais: Campeão Taça do Algarve - Clubes – 2016; Campeão Regional 2ª divisão - Seniores – 2016; Campeão Regional 1ª divisão - Clubes – 2015 e 2003; Campeão Regional 1ª divisão – Senhoras – 2005 e 2002; Campeã Liga dos Veteranos – Veteranos – 2015.

  • Filipa Faísca (1934-)

    Agraciada com a Medalha Municipal de Mérito Grau Bronze

     

    Filipa Faísca

    Poetisa e intérprete de contos tradicionais

    Nasceu no sítio do Borno, em Querença, a 22 de maio de 1934. Foi a décima primeira filha de Manuel António e Maria Inácia. Casou aos 21 anos com José Martins da Silva e teve uma filha, Maria de Jesus Silva Dias.

    Em tenra idade começou o seu interesse por cantigas, contos, orações e lengalengas que ouvia de sua mãe. Em rapariga participou em récitas organizadas pelo Padre João, cantando, declamando e participando nas danças. Fez comédia e drama. Colaborou nas batalhas das flores, ajudando a elaborar os carros que representavam a sua terra, Querença. Para além disso, sempre trabalhou no campo, na apanha do medronho e lenha, na monda e ceifa.

    Desde sempre foi solicitada por escolas e universidades para falar sobre as tradições orais, cantigas, romances falados e cantados, danças, orações, benzeduras, adivinhas, provérbios e trava línguas. Pelo São João organizou, escreveu
    e ensaiou algumas marchas populares de sua autoria.

    Por volta de 1988 começou também a fazer artesanato, mais concretamente, bonecas de trapo, com figuras representativas das atividades do campo. Ainda faz os seus bonecos que vende nos mercadinhos e feiras do Concelho de Loulé e recebe encomendas de todo o país e entidades.

    Participou no Romanceiro Popular Português, com Maria Aliete Galhoz e José Dias Marques, sendo o 1º volume editado em 1987 e o segundo em 1988, pelo Centro de Estudos Geográficos e Instituto Nacional de Investigação Científica de Lisboa.

    Na década de 70, a pedido de Manuel Viegas Guerreiro fez recolhas de tradições orais na freguesia de Querença, com a ajuda da sua filha. Em 1990 foi com o professor e Maria Aliete Galhoz ao programa Café Central, da RTP2, onde cantou um romance e duas canções.

    Em 2006, convidada por Maria João Seixas Lopes, foi com Isabel Cardigos à Gulbenkian contar um conto ao programa “Contos que a voz contou” . Em Faro, cantou para um grupo de Luso-descendentes. Por duas vezes, cantou e falou sobre as tradições orais a convite da Universidade do Algarve.

    Em 1995, com a abertura do restaurante Moinho Ti Casinha, propriedade de sua filha, colaborou com a elaboração do pão e ajudou com o necessário, nomeadamente com a parte da animação dos serões tradicionais, cantando, declamando poesias e contando histórias.

    A par disso, ia escrevendo alguns versos que mais tarde foram publicados no livro Povo, Povo, eu te Pertenço – em 2000, com a ajuda de Idália Farinho Custódio e Aliete Farinho Galhoz, editado pela Câmara Municipal de Loulé. Com
    o apoio das mesmas, também participou nos 5 volumes de tradições orais do Concelho de Loulé, também editados pela Câmara Municipal de Loulé – Contos em 2001, Romances em 2006, Orações em 2009, Cancioneiro em 2011 e Vária em 2013. Em 2002, também com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, e com as suas irmãs Adélia e Juliana, gravou um CD – Tradições Musicais, Loulé, Querença.

    Participou e ainda participa no ensaio de grupos de cantares de Janeiras, e também canta no grupo coral da Igreja da Nossa Senhora da Assunção de Querença.

  • Jack Petchey (1925-)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Bronze

     

    Jack Petchey

    Fundador da Fundação Jack Petchey, filantropo e empresário

    Jack Petchey nasceu numa família pobre, de classe trabalhadora e no East End de Londres, em 1925. Quando tinha 13 anos deixou a escola sem qualificações, e em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, ingressou na “Royal Navy Fleet Air Arm”. Requereu formação oficial, mas sem sucesso pelo que deixou a Marinha e começou a trabalhar como escriturário numa sociedade de Solicitadores, onde lhe foi dito que nunca seria um homem de negócios.

    Jack recusou desistir, investiu as suas £ 39 que recebeu da Marinha e comprou o seu primeiro carro em segunda mão, começando um negócio de táxis. Este negócio de táxis cresceu e transformou-o num milionário, investindo depois em vários outros negócios

    Foi diretor do Clube de Futebol West Ham United, entre junho de 1978 até 1989, financiou o clube para a construção de um novo estádio com capacidade para 45.000 pessoas, fazendo com que o West Ham prosperasse. Também foi presidente do Watford Football Club, em 1990.

    Desde que instituiu a Fundação Jack Petchey, em 1999, parte dos seus lucros empresariais do Grupo Petchey serviram para apoiar projetos inovadores para os jovens, entre os 11 e 25 anos, inseridos em associações/clubes ou escolas, nos concelhos de Albufeira, Loulé e Silves.

    A Fundação Jack Petchey foi estabelecida em Inglaterra, em 1999, e em Portugal, em 2004. A sua missão é criar oportunidades e apoiar iniciativas dos jovens. Jack Petchey tem um princípio que gosta de aplicar em todos os seus projetos “se pensas que podes, podes!”, incentivando os jovens a assumir os seus compromissos, com esforço, dedicação, orgulho e confiança. A chave para o seu progresso é esforço e autoconfiança.