Site Autárquico Loulé

1993

  • Almargem – Associação de defesa do património cultural e ambiental

    Agraciado com a Medalha Municipal de Defesa do Meio Ambiente Grau Bronze

     

    A Almargem, fundada em Loulé em Junho de 1988, é uma Associação sem fins lucrativos e tem como objectivos fundamentais:

    1. Estudo, inventariação e divulgação dos valores do Património Natural, Histórico e Cultural do Algarve;

    2. A defesa dos mesmos valores e a apresentação de propostas concretas para a sua valorização e recuperação.

    A Almargem tem sede social em Loulé, funcionando com bases no Estatuto e Regulamento Interno devidamente aprovados. A sua estrutura organizada assenta na constituição de Núcleos e no voluntariado e autonomia dos associados que, bianualmente, elegem os Órgãos Sociais.

    De acordo com a Lei n.º 10/87, a Almargem é uma Associação de Defesa do Ambiente (ADA). É ainda membro fundador da Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente.

    De entre os projectos que marcaram a contínua actividade da Almargem destaca-se o Projecto de Intervenção Ambiental num Sistema Rural (Vale de Benémola, Querença), premiado, em 1988, com um dos Prémios Conservação da Natureza e do Património Histórico-Cultural, uma iniciativa das Secretarias de Estado da Cultura e do Ambiente.

    Edição de publicações, visitas guiadas, colóquios, encontros, concursos e acções de formação, são algumas das outras actividades desenvolvidas pela Almargem desde os primeiros anos da sua existência.

  • Manuel Gomes Guerreiro (1919-2000)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Defesa do Meio Ambiente Grau Prata

     

    Manuel Gomes Guerreiro, nasceu na freguesia de Querença, Conselho de Loulé, frequentando o Liceu João de Deus, em Faro. Desde 1943 exerceu a profissão de engenheiro silvicultor. Paralelamente trabalhou 12 anos com o Prof. Vieira Natividade em Alcobaça, tendo-se dedicado ao melhoramento genético de espécies florestais como o choupo. Convidado para trabalhar em Moçambique, tornou-se director do Instituto Museu de História Natural de Álvaro de Castro e da Sociedade de Estudos de Moçambique. Foi igualmente Vice-reitor da Universidade de Luanda. Em 1974 regressa a Lisboa onde posteriormente exerceu o cargo de Secretário de Estado do Ambiente. Leccionou nas Universidades de Letras de Lisboa e na Universidade Nova. Em 1989 foi jubilado. É autor de uma vasta bibliografia nas áreas da silvicultura, do ensino e da ecologia. Proferiu diversas conferências em inúmeras Instituições.

  • José Viegas Gregório (1915-2007)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Bronze

    José Viegas Gregório nasceu em Salir no ano de 1915. Iniciou a sua actividade no comércio e passados alguns anos dedicou-se à agricultura.

    Em 1952 iniciou a sua actividade pública, assumindo o cargo de Secretário da Junta de Freguesia de Salir. Seis anos depois foi eleito presidente da mesma Junta, funções que exerceu até Setembro de 1974. Regressaria à presidência da Junta de Freguesia nas eleições de 1982, mandato que cumpriu até 1985.

    Uma das suas grandes paixões era o coleccionismo de tudo quando pudesse de alguma forma estar ligado a Salir. Daí o vasto acervo que deixou e que inclui diversos vestígios históricos, jornais e documentação da mais variada que inclui cartazes, programas de festividades realizadas em Salir e um vasto espólio fotográfico. Durante 43 anos foi correspondente do jornal “O Século” e colaborou em diversos jornais locais e regionais.

    Contudo, José Viegas Gregório será sempre lembrado sobretudo pela criação da chamada Festa da Espiga, realizada em Salir, por sua iniciativa, desde 1968. A importância que este evento alcançou, desde o inicio, como cartaz turístico do interior algarvio foi tal que a Câmara Municipal mudou para este dia o seu feriado municipal.

    Em 1991 foi alvo de uma homenagem pública promovida pela Junta de Freguesia de Salir tendo sido atribuído na altura o seu nome a uma das principais artérias da referida Freguesia.

    Em 2005 foi inaugurada, em Salir, a Biblioteca José Viegas Gregório.

    José Viegas Gregório faleceu a 13 de Outubro de 2007.

  • José Vieira (1907-2002)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    José Cavaco Vieira nasceu em Alte, em 1903. Um apaixonado pela cultura local, nos anos 30 e 40 dedicou-se a lançar as bases de uma etnografia popular, participada pelas populações locais e baseada em princípios científicos sérios de recolha e divulgação. Estudou em Lisboa, onde tirou o curso de Guarda-Livros e aprendeu línguas (francês e inglês). Foi presidente da Junta de Freguesia muitos anos e funcionário da Caixa Agrícola mais de três décadas. Foi membro fundador do Grupo de Amigos de Alte, que por sua vez criou o jornal "Ecos da Serra, em Dezembro de 1967, para apoiar moralmente os soldados no Ultramar e emigrantes. Neste jornal escreveu inúmeras crónicas, na célebre rubrica "Conversando", discorrendo sobre a etnografia, a política, a ecologia, a religião, a literatura e a biografia popular. Da sua visão artística e ecológica nasceram em Alte a escultura camoniana da Fonte Grande e também o Cristo de madeira que expôs em sua casa. José Cavaco Vieira sabia ainda tocar viola e violino. Faleceu na sua aldeia natal em 2002.

  • Hélder Cavaco (1965-)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    Hélder Viegas Cavaco Rosa nasceu na Freguesia de Salir em 1965. Fez os estudos secundários em Loulé. Desde cedo que começou a praticar desportos, nomeadamente futebol, e participou por brincadeira em diversas provas de tiro aos pratos. Em virtude dos bons resultados obtidos nas referidas provas decidiu enveredar pela carreira de alta competição de tiro com armas de caça.

    Participou pela 1.ª vez na Taça de Portugal, realizada em Portimão, com apenas 18 anos de idade tendo conquistado o título de Vencedor da Taça. No ano seguinte, a convite do Presidente da Federação Portuguesa de Tiro, participa no Campeonato da Europa de Fosso Olímpico realizada em França. A partir dessa data, integrado na Selecção Portuguesa, começou a participar regularmente nas Provas internacionais, tendo conquistado diversos títulos, tais como: 2 vezes Campeão de Portugal – Fosso Olímpico, 1 vez Campeão de Portugal de Skeet, 3 vezes Vencedor da Taça de Portugal – Trap, 4.º lugar no Grande Prémio das Nações, entre outros.

  • Lídia Jorge (1946-)

    Agraciada com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, em 1946.

    Fez os estudos secundários no Liceu de Faro e em 1965 começou a frequentar a Faculdade de Letras de Lisboa. Licenciou-se em Filologia Românica, enveredado posteriormente pela carreira docente.

    Deu aulas em Angola e Moçambique, fixando-se depois em Lisboa, onde se manteve como professora do ensino secundário.

    Lídia Jorge publicou o seu primeiro romance, “O Dia dos Prodígios” em 1980, sendo que recentemente foi homenageada pela Câmara Municipal de Loulé em virtude de se celebrarem 30 anos sobre a referida data.

    A este primeiro romance seguiram-se muitos outros como “O Cais das Merendas” (1982) e “A Notícia da Cidade Silvestre” (1984), obras galardoadas com o Prémio Município de Lisboa. Da sua autoria são também: “A Costa dos Murmúrios” (1988), “A Última Dona” (1992), o conto “A Instrumentalista” (1992), “O Jardim sem Limites” (1994), “Marido e outros Contos” (1997), “O Vale da Paixão” (1998), “O Vento Assobiando nas Gruas” (2002), “Combateremos a sombra” (2007), “Praça de Londres” (2008), “Contrato Sentimental “(2009), “A Noite das Mulheres Cantoras” (2011), entre outros.

    Lídia Jorge tem recebido diversos prémios pela sua actividade enquanto destacada figura na ficção portuguesa contemporânea.

  • Louletano Desportos Clube

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    O Louletano Desportos Clube foi fundado a 6 de Junho de 1923 por: Dr. Frutuoso da Silva, João Féria, António Sancho, Pablito, Reis, Guanito Pablos, José de Sousa Ignês, Raul e Octávio Pinto, entre outros.

    O objectivo subjacente à sua criação seria o de fomentar, entre os seus sócios, o desporto de salão, nomeadamente a ginástica, a esgrima, o ténis de mesa, o bilhar, o boxe, etc., na medida, em que o futebol e o ciclismo eram modalidades praticadas pelo Sporting Clube Louletano.

    No ano de 1925, a Câmara Municipal de Loulé adquire à Marquesa de Pomares a Quinta da Campina para aí construir o seu Parque Municipal de Desportos. Este recinto foi dotado de um rectângulo para a prática do futebol, de uma pista de ciclismo e um hipódromo. Entretanto, o Sporting Louletano extingue-se os seus atletas juntam-se ao Louletano Desportos Clube.

    Em 1967, o Louletano Desportos Clube criará no Parque Municipal um recinto para a realização de espectáculos desportivos, culturais e recreativos.

    Para além das modalidades referidas, nas quais se destacaram nomes como o boxeur Pires Guerreiro ou o ciclista Vítor Tenazinha, o Louletano Desportos Clube mobiliza largas centenas de jovens para a prática desportiva desde 1974 incluindo também outras disciplinas como o atletismo, o râguebi, o andebol, o basquetebol, o voleibol e o hóquei em patins, o ténis de mesa, a ginástica, a natação, etc. Desde 1967, o LDC é igualmente baluarte do futebol juvenil do Algarve.

  • Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva

    Agraciada com a Medalha Municipal de Mérito Grau Prata

     

    A Banda da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva foi fundada no dia 21 de Maio de 1876. Nasceu da Divisão da Sociedade Filarmónica de Loulé devido a um período conturbado da política local marcado por desavenças entre o partido “Progressista” e o partido “Regenerador”.

    Por derivar de uma Filarmónica já existente, a Sociedade Filarmónica artistas de Minerva começou a ser apelidada de “Música Nova”.

    O seu primeiro maestro foi o Dr. António Galvão, proprietário do solar onde a Filarmónica esteve instalada na década de 90.

    Sem interromper a sua actividade, esta Filarmónica teve o seu período áureo entre 1985 e 1908, altura em que era regida pelo Maestro Joaquim Pires.

    Na actualidade a Filarmónica Artistas de Minerva é subsidiada pela Câmara Municipal e mantém-se estável e activa tendo como regente José Branco.

    Durante a sua longa existência ganhou alguns prémios dos quais se destacam:

    • 1.º Prémio do Certame Musical realizado em Silves em 6/10/1895;
    • 1.º e 2.º Prémios do Certame Musical realizado em Faro em 22/6/1908;
    • Medalha de Cobre do 2.º Congresso da F.S. Educação e Recreio;
    • Diploma de Medalha de Ouro de Instrução e Arte da F.P. Colectividades de Cultura e Recreio;
    • Diploma de Mérito associativo pelos 114 anos de existência efectiva atribuído pela F. P. Colectividades de Cultura e Recreio.
  • Santa Casa da Misericórdia

    Agraciada com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    A primeira referência à Misericórdia de Loulé surge num documento de 1568. Neste documento D. Sebastião autoriza a Casa da Misericórdia a receber o legado instituído por Diogo Alvares Telles, falecido em Goa, e cuja herança devia ser investida em bens de raiz.

    Em 1570 foi anexado à Santa Casa o hospital de Nossa Sr.ª dos Pobres ou Nossa Sr.ª do Ó.

    Contudo, em 1683, D. Pedro II mandará separar as administrações da Santa Casa e do hospital. A direcção deste último será entregue ao Padre João de Aguiar Ribeiro. Este nomeou posteriormente como seus sucessores na administração do hospital os frades agostinhos descalços. Separadas as administrações, a Casa e a Igreja da Misericórdia mantiveram-se onde actualmente se encontra a Caixa Geral de Depósitos. O hospital mudou-se para junto da Capela dos Agostinhos, a norte, e a sul encontrava-se o hospício dos frades.

    A partir de 1820, por ordem do Presidente da Junta de Melhoramentos das Obras Religiosas, cargo exercido pelo bispo de Elvas, D. José Maria da Cunha de Azevedo Coutinho, voltou o hospital a ser administrado pela Misericórdia. Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, a Misericórdia e a Igreja deslocaram-se para onde hoje estão.

    Entre 1948 e 1960 o hospital sofreu profundas transformações.

    Após a nacionalização dos hospitais das Misericórdias, em 1975, passa a Misericórdia de Loulé a dedicar-se aos idosos e sem abrigo. Em Outubro de 1974 foi criado o Centro de Dia para Idosos e de seguida o Apoio Domiciliário e o Lar da 3.ª Idade.

  • Dr. Guerreiro Murta (1891-1979)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro


    Pedagogo e escritor, José Guerreiro Murta, nasceu em Loulé em 1891. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e,em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa. Leccionou nos liceus de Faro, de Setúbal e de Lisboa, onde foi Reitor do Liceu Passos Manuel. Publicou na "Colecção Estudar É Saber", de que foi co-fundador, seis volumes sobre o estudo e o ensino da Língua Portuguesa. Em colaboração com João de Barros escreveu "Como se devem ler os Escritores Modernos". Foi autor da "Evocação Histórica do 1º Liceu do País" e "Ensino da Redacção da Língua Portuguesa". Colaborou igualmente com a imprensa dirigindo a revista "A Mocidade", assim como a secção de crítica literária da revista "Alma Nova", criada em 1915. Organizou também o I Congresso das Caixas Económicas Portuguesas, publicando nesta área as obras "O Montepio Geral e o seu Iniciador", e "Caixa Económica de Lisboa ou o Primeiro Mealheiro Público". Foi eleito Presidente do Montepio Geral, onde realizou obras de grande importância. Em 1955, foi condecorado com a Ordem de Benemerência. Recusou cargos políticos, mas participou em trabalhos na Junta Nacional de Educação. Pertenceu ainda à direcção dos Jardins-Escola João de Deus e da Casa do Algarve. Deu diversas conferências em que o tema Algarve foi fulcral. Viria a falecer na cidade em que nasceu em 1979.

  • Eng.º José António Madeira (1896-1976)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    José António Madeira nasceu em Loulé em 1896 e nesta localidade faleceu em 1976. Engenheiro geógrafo e astrónomo, matriculou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra em 1916. No ano seguinte foi admitido na Escola de Guerra, no curso de Artilharia de Campanha. Em 1922 voltou a frequentar a Faculdade supra referida e aí se licenciou em Ciências Matemáticas, incluindo igualmente o curso de Engenheiro geógrafo. Na Faculdade de Letras faz também as cadeiras de História Geral da Civilização, Estética e História de Arte. Em 1925 é requisitado ao Ministério de Guerra pelo Ministério da Agricultura para prestar serviços como Engenheiro geógrafo. No entanto, no ano seguinte inicia uma brilhante carreira como astrónomo, sendo nomeado para o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra. Embora não fosse um político, concordou em aceitar o cargo de secretário do seu conterrâneo Engenheiro Duarte Pacheco, quando este foi ministro da Instrução Pública. Mais tarde, no estrangeiro, foi membro da Missão Portuguesa para observação do eclipse total, no Norte da Inglaterra; bolseiro da Junta de Educação Nacional nos Observatórios Astronómicos de Greenwich e Paris; bolseiro do Instituto para a Alta Cultura nos mesmos Observatórios.

    Paralelamente, José António Madeira realizava investigação sobre diversos assuntos relacionados com o Algarve, vindo a ser dirigente da "Casa do Algarve". Facultou à posterioridade uma vasta bibliografia de cariz científico e ainda referente ao Algarve enquanto região turística. Colaborou com o jornal "O Algarve". Foi agraciado com a Ordem Militar de Cristo; Ordem Militar de Avis e Comenda da Instrução Pública. José António Madeira doou os seus livros à Biblioteca da sua terra natal, doação acompanhada de carta dirigida ao então Presidente da Câmara Municipal de Loulé.

  • Eng.º Laginha Serafim (1921-1994)

    Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    Joaquim Laginha Serafim nasceu em Loulé em 1921 e faleceu em Lisboa em 1994. Licenciado em Engenharia Civil, no Instituto Superior Técnico, em 1944, foi convidado a frequentar um curso nos Estados Unidos, destinado a cientistas e engenheiros estrangeiros. Foi professor catedrático das Universidades de Coimbra e de Maputo, e recebeu o grau de Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Liége e do Rio de Janeiro. Fez parte integrante de diversas sociedades científicas espalhadas por todo o mundo sendo reconhecida a sua competência na execução de algumas das maiores barragens existentes em várias partes do mundo. Trabalhou em Marrocos, Espanha, Itália, Moçambique, Angola, Venezuela, Estados Unidos da América, Turquia, Brasil, Irão, e em muitos outros paises. Em Portugal contruíu as barragens de Castelo do Bode, Boução, Cabril, entre outras. Foi agraciado com diversos prémios, medalhas e comendas ao longo da vida, por entidades portuguesas, espanholas, inglesas e americanas. Como delegado português visitou mais de cinquenta países, onde participou em congressos e reuniões e realizou centenas de conferências.

  • Dr.ª Laura Ayres (1922-1992)

    Agraciada com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro

     

    Nota biográfica:

    Laura Guilhermina Martins Ayres nasceu em 1922 na freguesia de São Sebastião em Loulé.

    Licenciada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

    Especializou-se em virulogia numa Universidade londrina, trabalhando no âmbito da sua especialização em diversos países europeus e nos Estados Unidos da América.

    Desempenhou cargos de investigadora-coordenadora do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, em Lisboa, e de directora do Laboratório de Virulogia do Instituto Nacional de Saúde que fundou em 1956.

    Afirmou-se sobretudo, não só em Portugal mas também no estrangeiro, como figura que fomentou o combate contra a Sida.

    Durante os seus 69 anos de vida, publicou 63 artigos na Imprensa nacional e estrangeira e foi galardoada com dois prémios Ricardo Jorge e condecorada com a Ordem de Santiago de Espada pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares.

  • António Aleixo (1899-1949)

    Agraciado com a Medalha de Honra do Município de Loulé;

     

    Nota biográfica:

     Nascido em Vila Real de Santo António em 1899, António Fernandes Aleixo veio a falecer em Loulé em 1949, local para onde foi viver com a família aos 7 anos de idade. Sem profissão certa e quase completamente analfabeto, pois mal sabia assinar o seu nome, começou por exercer o mesmo ofício de seu pai que era tecelão. Prestou serviço militar em Faro, ingressando depois na GNR da mesma cidade. Demitiu-se passado pouco tempo e tornou-se servente de pedreiro. Emigrou para França com a mesma profissão onde vendeu aos seus conterrâneos algumas quadras em folhas soltas. Regressou de França com algum dinheiro amealhado e fixou-se em Loulé, onde deixara a família. Retomou as antigas profissões, vendeu cautelas e cantou de feira em feira. Foi-se assim tornando conhecido. Algumas das suas quadras, mais espontâneas, começaram a andar de boca em boca, o que lhe deu acesso a amizades fora da sua esfera social. Estimulado pelos amigos concorreu e foi premiado em 1937 nos Jogos Florais, tendo ganho uma menção honrosa. Foi aí que conheceu o Dr. Joaquim Magalhães, professor de Liceu, que começou a registar as suas quadras, tornando-se um dos seus principais divulgadores. Em 1943 sugeriu-lhe que editasse a sua poesia sob o título "Quando começo a Cantar", do qual vendeu os 1000 exemplares editados. Tendo sido assolado por uma tuberculose, não conseguiu viver da sua poesia. Começou a vender cautelas e a engraxar sapatos em cafés, continuando sempre a versejar. Quando a doença se agravou, António Aleixo foi internado no Sanatório de Coimbra. Nesta fase o poeta teve a oportunidade de conviver com grandes homens das Letras e das Artes. Regressou então a Loulé, melhor, mas não curado. Continuou a percorrer feiras, vendendo as suas quadras, sem nunca conseguir fazer fortuna. Morreu tuberculoso aos 50 anos de idade. Ainda em vida publicou "Intencionais" (1945) e "Auto da Vida e da Morte" (1948). Postumamente, foi publicado da sua autoria "Auto do Curandeiro" (1950), "Este Livro que vos Deixo" (1969) e "Inéditos" (1979). O tom sofrido das suas quadras espelha bem a sua vida difícil. Com um grande poder crítico, este poeta, aparentemente inofensivo, tocou sempre nos pontos mais sensíveis da sociedade portuguesa, gritando contra a fome, a pobreza e as injustiças sociais.

  • Duarte José Pacheco (1900-1943)

    Agraciado com a Medalha de Honra do Município de Loulé

     

    Nota biográfica:

    José Duarte Pacheco nasceu no seio de uma família numerosa em 1900. Órfão de mãe logo aos seis anos e de pai aos catorze recebeu apoio económico do tio. Tirará, com uma média de 19 valores, o curso de engenheiro electrotécnico no Instituto Superior Técnico no qual é professor com apenas vinte e três anos e vindo a dirigir o mesmo Instituto em 1927.

    Ainda estudante alinha, em 1919 aquando do levantamento de Monsanto, no Batalhão Académico, na defesa da República. Em 1926, Duarte Pacheco tem ligações com o oficial da marinha também louletano Mendes Cabeçadas e com Cunha Leal, tendo este formado a União Liberal Republicana, que conspira na preparação do golpe militar de 28 de Maio.

    Em Abril de 1928, Duarte Pacheco é nomeado ministro da Instrução, cargo que permanece apenas até Dezembro do mesmo ano. Durante este curto período de tempo é incumbido de ir a Coimbra chamar Salazar para fazer parte do governo presidido pelo General Vicente de Freitas.

    Em 1932, Salazar preside pela primeira vez a um governo e nomeia Duarte Pacheco para ministro das Obras Públicas e Comunicações.

    Em Janeiro de 1938 é nomeado presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

    Durante sensivelmente nove anos de governação, Duarte Pacheco revolucionou profundamente as obras públicas. Estabeleceu um plano urbanístico para o desenvolvimento de Lisboa, teve um papel preponderante nas infra-estruturas que regularizaram o abastecimento de água à capital, assim como nas obras portuárias, na expansão da rede rodoviária, na construção de edifícios escolares, etc.

    As obras que inequivocamente permanecem ligadas ao seu nome são: a construção do viaduto de Alcântara, o estádio Nacional, os edifícios do Instituto Superior Técnico, da Casa da Moeda, do Instituto Nacional de Estatística, do Hospital Júlio de Matos, a Alameda D. Afonso Henriques e outros.

    Duarte Pacheco viria a falecer em Setúbal, a 16 de Novembro de 1943, num abrupto acidente de viação. Ficou assim uma obra grandiosa a meio.

    Loulé, enquanto terra natal deste notório estadista, erigiu em 1953, no dia em que se celebravam dez anos sobre a morte de Duarte Pacheco,  um monumento em homenagem ao malogrado engenheiro e à sua obra.