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NOTA DE PESAR EDUARDO LOURENÇO

NOTA DE PESAR EDUARDO LOURENÇO

Autarquia

01 de dezembro 2020

A Câmara Municipal de Loulé manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Eduardo Lourenço. Aos 97 anos Eduardo Lourenço era o nosso pensador maior, uma voz incontornável no pensamento português, uma voz lúcida, ativa, muito atual e acutilante no panorama cultural e intelectual nacional.

Eduardo Lourenço foi filósofo, professor, crítico e ensaísta deixando-nos as suas obras, os seus ensinamentos que devem ser relidos e permanecer connosco para construir um país e um mundo habitáveis.

Esta Nota de Pesar tem um sentimento profundo e simbólico porque Eduardo Lourenço manteve uma ligação discreta e sentida com Loulé, muito por causa dos seus amigos Carlos Albino e Lídia Jorge, com quem vinha, com regularidade, fruir do sentir, dos cheiros e dos sabores do Sul.

Essa ligação de amizade e admiração por Lídia Jorge faz com que em 2010 participe nos “Horizontes do Futuro” com uma preleção sobre “O Dia dos Prodígios como Espelho de um País e de uma Identidade” no âmbito da exposição comemorativa dos 30 anos desta obra inaugural da carreira literária de Lídia Jorge, realizada no Convento de Santo António. Anos mais tarde, em 2017, dá-nos a honra de se associar à inauguração da exposição LOULÉ: Territórios, Memórias e Identidades no Museu Nacional de Arqueologia, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Nesta Nota de Pesar destacámos apenas estes dois momentos mais significativos, mas a sua ligação com Loulé perdurou por várias décadas.

É por isso imperativo que o Município de Loulé se associe hoje, com profundo pesar e consternação, às inúmeras vozes que se têm ouvido sobre este homem que nos ajudou a pensar e a refletir sobre aquilo que somos, onde estamos, sobre a necessidade de sermos parte e de sermos cidadãos participativos, como nos impelia numa das suas obras de referência o Labirinto da Saudade para “construir com constância o país habitável de todos, sem esperar de um eterno lá-fora ou lá-longe a solução que, como no apólogo célebre, está enterrada no nosso exíguo quintal. Não estamos sós no mundo, nunca o estivemos.” Um legado imenso a continuar e uma responsabilidade para que a sua voz não seja esquecida e os seus livros continuem nas nossas Bibliotecas a ser lidos e relidos.

 

A Câmara Municipal de Loulé endereça à família e amigos as mais profundas, sentidas e sinceras condolências.