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Autarquia de Loulé distinguiu seis personalidades/instituições com Medalhas de Mérito Municipal

22 de maio 2009

No âmbito das comemorações do Dia do Município, que se assinalou ontem, a Câmara de Loulé promoveu mais uma cerimónia de entrega das Medalhas Municipais de Mérito. Este ano foram distinguidas quatro personalidades e duas instituições. O destaque foi, naturalmente, para o Ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, que recebeu a Medalha de Ouro do Município. Numa curta intervenção, este membro do Governo disse, de forma emocionada: “Guardo esta medalha num sítio muito especial, no meu coração”. Manuel Pinho referiu a sua “grande ligação ao turismo, ao Algarve e a Loulé” e, nesse sentido, manifestou a satisfação por ver que “o esforço honesto e determinado que foi feito é reconhecido”. Reportando-se ao que tem sido realizado na região nos últimos anos, o Ministro da Economia frisou que “a colheita dos últimos quatro anos no Algarve é uma colheita muito boa”, referindo como exemplos “a requalificação da EN 125, o Hospital Central, a Faculdade de Medicina, o Allgarve, a criação de mais de uma dúzia de unidades hoteleiras de cinco estrelas, a renovação da Fortaleza de Sagres”. Nesse sentido, considerou que “o desafio que temos é a seguir a uma boa colheita vir outra boa colheita”. Por seu turno, o autarca de Loulé, Seruca Emídio, explicou que na base desta distinção por parte do Município a Manuel Pinho estão “factores objectivos”. Desde logo, porque, segundo o edil, “foi de todos os ministros dos vários governos, aquele que mais vezes se deslocou a Loulé”. Por outro lado, salientou o projecto Allgarve, que teve em Manuel Pinho o seu principal impulsionador, e que permitiu “projectar a cidade e o Concelho de Loulé como grande referência em termos de iniciativas culturais, com exposições de Serralves, Gulbenkian, a promoção da Mina do Sal e ainda espectáculos de grande qualidade que este ano vão ter lugar também”. Seruca Emídio enalteceu ainda “a honestidade intelectual e ética” deste membro do Governo, ao ter a percepção da importância estratégica que este Concelho tem para a região do Algarve e para o país, desenvolvendo uma “parceria séria e que bons resultados” tem dado “numa Câmara que não é do partido do Governo”. Para além do responsável governamental pela pasta da Economia, foram ainda distinguidos Quirino Mealha, com a Medalha de Grau Ouro, Centro Social e Comunitário de Vale Silves e Colégio Internacional de Vilamoura, com a Medalha de Grau Prata, e Abílio dos Santos e Inácio Mendes, com a Medalha de Grau Bronze. Refira-se que estas Medalhas têm em vista “o reconhecimento às pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que tenham prestado ao Município de Loulé serviços considerados relevantes e excepcionais, designadamente de que resultem maior renome para o Concelho, maior benefício colectivo ou honra especial, ou a personalidades distintas que visitem o Concelho, podendo ainda ser concedida como homenagem póstuma”. Para incutir uma maior dignidade a esta cerimónia, e critérios de maior rigor na escolha dos homenageados, a Autarquia decidiu realizar esta atribuição de Medalhas de dois em dois anos. Ética e política de mãos dadas no trabalho do executivo louletano Apesar de não elencar os investimentos levados a cabo pelo seu executivo, em jeito de balanço destes sete anos à frente dos destinos do Concelho, o presidente da Câmara de Loulé salientou o reconhecimento público de que Loulé “transformou-se em muito e para bem melhor”. Num discurso marcado pelas questões da ética política, o autarca disse que “assumir responsabilidades públicas e políticas implica a assumpção de vigor moral aliado à competência e à honestidade”. Referindo-se à descrença generalizada da população em relação à classe política e à imagem dos políticos, Seruca Emídio considerou que este facto deve-se “a lamentáveis casos da nossa história local e nacional, e à cada vez maior ocupação da vida política por ‘políticos profissionais’”. Nesse sentido, frisou que as suas funções como autarca se têm pautado por uma “missão” e pelos “valores da solidariedade, da equidade, da justiça e da legalidade” com que tem sempre encarado o seu modo de trabalhar na Autarquia a que preside. O autarca salientou ainda o “trabalho de excelência” que tem sido desenvolvido em Loulé em vários domínios, “desde a área cultural à área do urbanismo, das obras municipais à acção social e educativa”. Quanto aos desafios que se colocam nos tempos vindouros e às novas exigências, Seruca Emídio disse: “São estas mudanças inevitáveis para que o futuro garanta trabalho e progresso, com a qualidade que pretendemos imprimir ao nosso Concelho, aspirando encontrar o caminho que seja, ao mesmo tempo, ética e politicamente correcto”. Relativamente aos problemas sociais que o país atravessa, o autarca louletano disse entender que “só o reconhecimento da solidariedade, enquanto valor orientador das políticas públicas, pode minimizar essas situações tão complexas do ponto de vista pessoal e social”, afirmando convictamente que “o Concelho de Loulé tem sabido ser solidário”. E adiantou ainda que faz parte dos deveres dos responsáveis políticos ”ajudar a construir essa harmonia, gerindo a pressão da globalização, das normas europeias e do poder central de modo a conseguirmos, pela legalidade, tornar o nosso município num espaço plural e de encontro”. Ao longo do seu discurso, Seruca Emídio citou três Agraciados pelo Município que marcaram e continuam a marcar a vida nacional: a escritora Lídia Jorge, o presidente da República, Cavaco Silva, e o poeta, António Aleixo. Já o presidente da Assembleia Municipal, Patinha Antão, também fez uma alusão a personalidades distinguidas pelo Município - Laura Ayres, médica que foi responsável pela Comissão Nacional de Luta contra a Sida; Laginha Serafim, que se destacou na construção de barragens em todo o mundo; Maria Campina, pianista que, em 1949, conquistou primeiro prémio do Concurso Internacional de Salzburgo; e Duarte Pacheco, “que foi porventura o melhor Ministro das Obras Públicas de sempre”. Em relação ao trabalho desenvolvido pelo executivo municipal de Loulé, o responsável máximo da Assembleia disse que, depois de terem sido ultrapassados os objectivos de recolocar o Concelho na liderança do Algarve (primeiro mandato) e colocar o Concelho no topo do ranking concelhio nacional (segundo mandato), os objectivos agora passarão, fundamentalmente, por “inserir Loulé na primeira linha dos melhores concelhos turísticos da Europa e do mundo”. Os Agraciados 2009 MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO GRAU OURO Manuel António Gomes de Almeida de Pinho Manuel António Gomes de Almeida de Pinho nasceu a 28 de Outubro de 1954. Concluiu a licenciatura em Economia, no ISE, em 1976, doutorando-se, pela Universidade de Paris X, sete anos mais tarde. Iniciou então a sua carreira docente no Instituto Superior de Economia da Universidade Católica Portuguesa. Entre 1992 e 1994 foi Director-Geral do Tesouro, Presidente da Junta de Crédito Público e Representante do Governo Português junto do Comité Monetário, em Bruxelas. Foi também Vice-Presidente do Conselho Consultivo da CMVM, Administrador do Banco Europeu de Investimento e Presidente da Comissão de Fiscalização da Caixa Geral de Depósitos. Do seu currículo destaca-se ainda o desempenho de inúmeras funções ligadas à banca, entre 1994 e 2005: Administrador do Banco Espírito Santo, SA, Vice-Presidente do BES Investimento, SA, Administrador da ESAF, SGPS, S.A., Administrador do BES Finance e BES Overseas, Presidente do Espírito Santo Research e membro do Conselho Económico e Social. Manuel Pinho é, desde 12 de Março de 2005, Ministro da Economia e Inovação do XVII Governo Constitucional. Tem sido o principal impulsionador do projecto “Allgarve” que arrancou no ano de 2007, um programa de animação direccionado para a região algarvia com o objectivo de diversificar a oferta de lazer, criando um novo conceito de turismo de Verão com diferentes motivos de atracção, respondendo às expectativas dos turistas mais exigentes e com maior poder de compra e gerando também notoriedade, por forma a atrair maiores fluxos turísticos a médio/longo prazo. Este tem sido, de resto, um projecto com impacto bastante positivo em Loulé, já que tem permitido divulgar também espaços únicos mas pouco conhecidos, mesmo junto da população local. Neste âmbito, e pela colaboração que tem tido com o Concelho de Loulé no apoio ao desenvolvimento económico e tecnológico e, sobretudo ao incremento das actividades turísticas, este responsável governamental é distinguido com a Medalha Municipal de Mérito. MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO GRAU OURO Quirino dos Santos Mealha Nasceu em Querença, freguesia do interior do Concelho de Loulé, a 8 de Julho de 1908. Fez a instrução primária na sua terra natal e em Tavira. Matriculou-se em Faro na Escola Primária Superior (Liceu) onde as boas classificações lhe permitiram completar o curso em apenas 5 anos (1921-1926), frequentando, ao mesmo tempo, o curso nocturno da Escola Comercial e Industrial Tomaz Cabreira, tendo ficado habilitado com o curso elementar de Comércio. Em 1926, matriculou-se na Universidade de Lisboa para frequentar as Faculdades de Direito e de Letras. Em Letras frequentou os primeiros anos de Clássicas, tendo-se licenciado em Direito, em 1931. Nesse ano fez o curso de Oficiais Milicianos em Lisboa e Mafra tendo servido como alferes em Caçadores 5. Em 1932 fixou-se em Loulé onde fez os estágios de Advogado, de Notário e de Subdelegado do Procurador da República. No mesmo ano, inscreveu-se como Advogado na Ordem dos Advogados, cuja actividade profissional passou a exercer, e fez concurso para Notário no qual ficou aprovado. Simultaneamente, entrara para a vida pública do Concelho de Loulé, tendo exercido vários cargos: Administrador do Concelho, Provedor da Misericórdia, Vice-Presidente da Câmara Municipal e Presidente do Clube Desportivo Louletano. Em Outubro de 1935, a convite do então Subsecretário de Estado das Corporações, Dr. Pedro Theotónio Pereira, foi nomeado delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP) no Distrito de Beja, onde mais tarde, fruto do desempenho dessas funções, veio a ser também delegado do Comissariado do Desemprego e Presidente da Caixa Regional de Abono de Família. Foi Deputado na III Legislatura (1942-45), mandato que não concluiu para ocupar o lugar de Governador Civil do Distrito de Beja de 1944 a 1950, exercendo novo mandato na VIII Legislatura (1961-65), sendo também Procurador à Câmara Corporativa na VI e VII Legislaturas por inerência de ser Presidente da Direcção da FNAT (actual Fundação INATEL). Em 1950, foi colocado em Lisboa como Juiz do Tribunal do Trabalho, funções que deixou no mesmo ano para exercer o cargo de Chefe de Serviços de Acção Social. Entre 1950 e 1958, foi Presidente da Direcção da FNAT (actual Fundação INATEL), membro do Conselho Técnico dos Desportos e da Junta Nacional de Educação. Em 1955 esteve nos Estados Unidos, a convite da Administração norte-americana, para participar num programa da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), tendo-lhe sido conferida a qualidade de cidadão honorário de Nova Orleães (Estado do Luisiana). Foi Presidente do Conselho de Administração e do Conselho Geral do Banco do Alentejo, desde 1966, cargos que deixou de exercer com a nacionalização do Banco em 1975. Foi, simultaneamente, Administrador e Vice-Presidente da ICESA (Empresa de Construção Civil, responsável, entre outros projectos, pela urbanização de Santo António dos Cavaleiros no Concelho de Loures), de 1965 a 1975. Presidiu a várias comissões de estudos e grupos de trabalho, tomou parte em congressos, colaborou em diversos jornais e revistas e foi autor de relatórios, discursos, conferências, comunicações e de iniciativas culturais, designadamente de concursos e exposições de carácter heráldico, etnográfico, folclórico e de arte popular (destacando-se, pelo seu pioneirismo, os concursos de “melhor leitor” que organizou no Distrito de Beja e a grande Exposição de Arte dos Trabalhadores que teve lugar no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa). MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO GRAU PRATA Centro Social e Comunitário de Vale Silves O Centro Social e Comunitário de Vale Silves (C.S.C.V.S) é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (I.P.S.S.), sem fins lucrativos, que visa, essencialmente, o desenvolvimento comunitário, social, económico, cultural e desportivo de Vale Silves, e da freguesia de Boliqueime, organizando respostas integrantes, globais e polivalentes, face às necessidades e problemas dos indivíduos e famílias. Na base da constituição deste Centro Comunitário, em 1990, esteve a Associação Pais e Filhos, uma associação de pais das crianças da Escola de Vale Silves, que inicialmente se juntaram no sentido de melhorar a capacidade educativa dos seus associados e a qualidade de vida dos seus filhos e das crianças da freguesia. Através de uma consciência comunitária e da necessidade de mudança, esta associação foi alargando os seus objectivos, e as suas áreas de actuação, pelo que o Centro Social e Comunitário se mostrou a uma resposta adequada a servir toda a comunidade. Este espírito comunitário é visível através das várias festas de angariação de fundos, em que a comunidade participa desde a confecção de pratos, ao serviço de mesa, e limpeza do recinto, às acções de educação social aberta à comunidade, entre outras iniciativas. Este tem, actualmente em funcionamento as respostas sociais de Actividades de Tempos Livres, da área Infanto-juvenil, e o Serviço de Apoio Domiciliário, no que se refere a respostas sociais aos seniores. O centro tem em funcionamento um grupo de animação infantil, que acompanha durante o dia, ou parte dele, crianças em que os pais por motivos profissionais ou outros não possam assegurar o seu acompanhamento, bem como actividades de animação sócio cultural e actividades de Centro Comunitário. O Centro Comunitário está aberto a novos projectos desde que decorrentes das necessidades da comunidade. Pelo papel social relevante que tem tido no contexto concelhio, a atribuição de uma Medalha Municipal de Mérito é uma justa homenagem prestada à Associação de Vale Silves. MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO Grau Prata Colégio Internacional de Vilamoura Um projecto pioneiro em Portugal O Colégio Internacional de Vilamoura é uma escola de educação internacional integrada numa rede de escolas internacionais com cerca de 600 centros educativos em mais de 110 países. Fundado em 1984, é um colégio português, situado no Concelho de Loulé, que serve uma importante comunidade de 650 alunos entre os 3 anos de idade e o 12º ano, year 13 nos estudos ingleses, provenientes de 42 países. A aprendizagem de duas línguas como maternas até aos 10 anos (o inglês e o português) foi pioneira em Portugal nos anos 80. Esta escola de educação internacional desenvolveu nos últimos 25 anos um modelo singular de educação internacional que tem evidenciado elevados padrões de exigência num horizonte permanente de investigação e de inovação. No meio académico e científico, é reconhecida pela qualidade dos seus projectos de investigação, e no desenvolvimento de novas metodologias, que se associam à formação de professores e alunos. O seu reconhecimento e o seu prestígio têm sido mencionados em diferentes centros educacionais. O ambiente cultural que se vive no dia-a-dia e a dinâmica cultural são evidenciados numa linha de valorização do professor autor, do professor escultor, do aluno poeta, do aluno cientista, com um papel importante na dinamização da vida académica. Nos últimos anos, o Colégio Internacional de Vilamoura tem chamado a atenção de investigadores internacionais que têm dado destaque ao sucesso prático das suas metodologias de aprendizagem e ainda ao ambiente criativo. O seu papel destacado no âmbito da investigação e a capacidade de reflectir sobre as suas próprias práticas permitiram acumular e capitalizar experiências únicas no mundo da educação internacional. Foi um dos centros pioneiros em Portugal na adesão a uma certa ideia liberal de educação comparativa e na acreditação dos seus alunos em termos internacionais. O projecto tem estimulado sucessivas gerações de alunos que completaram a sua educação básica em universidades internacionais, com excelentes resultados académicos e profissionais. São ainda conhecidos os programas CIV de parcerias internacionais, que nasceram e cresceram ainda num tempo anterior aos telefones móveis ou de acesso à Internet. A partir de um ideário educativo estruturado, a escola organizou-se em pequenas comunidades de investigação de professores e alunos, que associaram as suas aprendizagens cognitivas ao desenvolvimento de importantes projectos humanísticos ao serviço da comunidade. A escola tem actualmente professores em funções noutras escolas europeias. Neste ciclo de desenvolvimento 1999-2009, foram acumulados excelentes resultados em termos nacionais e internacionais, registados em séries ao longo de dez anos. Diversos estudos em parceria têm procurado estabelecer relações entre as metodologias adoptadas na construção do conhecimento novo e o desempenho educativo dos alunos a nível nacional e internacional. No ano de 2008, o colégio voltou a fazer crescer a sua população escolar em 3,11% e deu prioridade ao reforço das condições de trabalho e de estabilidade da sua equipa de educadores com uma profunda experiência em educação internacional. O CIV é um centro reconhecido pela Universidade de Cambridge e o seu director é membro convidado desde 1990 da Associação Americana de Investigação Educacional e representante do ensino particular no Concelho Municipal de Educação de Loulé. MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO Grau Bronze Abílio Celestino Lopes dos Santos (Mestre Bilinho) Nasceu na cidade de Luanda, em 30 de Maio de 1965, filho de Maria Odete Coelho Lopes e de Abílio Rodrigues Matias dos Santos. Como criança começou a frequentar a escola primária em Luanda. Após a Revolução do 25 de Abril, os pais tiveram que regressar a Quarteira o que fez com que tivesse de continuar os seus estudos até à 4ª classe nesta cidade. Aos 14 anos, e uma vez já tinha uma enorme apetência pelas lidas do mar, decidiu iniciar a sua vida marítima, começando a andar ao mar com o seu pai, Mestre Abílio, dedicando-se exclusivamente à pesca de polvos com alcatruzes. Aos 18 anos adquiriu então a sua primeira embarcação denominada “Carlita” em homenagem à sua irmã. Aqui continuou com a mesma arte de pesca. Passados quatro anos comprou então o barco “Príncipe Divino” tendo aqui alterado a sua arte de pesca, passando então a pescar com redes e dedicando-se à apanha de diversas espécies de pescado, deixando definitivamente a pesca ao polvo. Em 1989, com a idade de 25 anos, deslocou-se a Peniche onde foi comprar a embarcação “Poema do Mar” a um grande pescador e amigo daquela terra de nome João Comboio. A partir daí passou a dedicar-se por completo a pescar com a arte do Cerco, sobretudo à apanha de maiores volumes de pescado. Em 1997 deu-se início àquele que seria o seu maior investimento, com a construção da embarcação “Poema do Mar”, que viria mais tarde a substituir a já existente. A execução deste barco, nos estaleiros de Rui Pinto, em Vilamoura, teve a duração de três anos. A embarcação começou a andar ao mar no primeiro semestre do ano de 2000, tendo logo de imediato feito a diferença para a sua antecessora. Até à presente data vale a pena salientar que após 9 anos de existência, esta embarcação juntamente com o Mestre Abílio e toda a sua tripulação, têm conseguido sempre alcançar o seu principal objectivo: facturar em cada ano mais do que no anterior, fazendo prevalecer sempre a qualidade e frescura do pescado que traz para a lota. MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO Grau Bronze Inácio Manuel Leal Mendes (Naicinho) Inácio Manuel Leal Mendes nasceu em Loulé, no dia 21 de Dezembro de 1944. Completada, com sucesso, a instrução primária, foi com apenas dez anos de idade aprender, com Emídio do Carmo Chagas, proprietário da Farmácia Santos, que se situava no Largo de S. Francisco, em Loulé, as bases de uma profissão que iria abraçar com total empenho e dedicação. Em finais de 1961, Emídio do Carmo Chagas solicita a transferência da Farmácia para Olhão, fundando, assim, a Farmácia Olhanense, levando para trabalhar consigo o Naicinho. Corria o ano de 1966, quando foi mobilizado para a Guerra do Ultramar. Foi destacado para a Guiné, com as funções de Cabo Enfermeiro. Algum tempo depois viria a ser vítima de um acidente de viação em serviço, provocando-lhe ferimentos numa das vistas, situação que lhe retirou, quase totalmente, a visão dessa vista. Voltou então à Metrópole para ser recuperado. Após tratamento no Continente regressa, novamente, à Guiné, voltando a ser vítima de um rebentamento, que provocou ferimentos numa das pernas. Contudo, este infortúnio episódio não o impediu de socorrer, nesse preciso momento, outros camaradas que ficaram em pior estado. Além de revelar a têmpera de que era feito, esse acto valeu-lhe um Louvor Militar na sua caderneta de serviço. Em 1968, Emídio do Carmo Chagas decide abrir um Posto de Medicamentos na freguesia de Almancil e, mais uma vez, contou com o Naicinho. Inácio Mendes dava provas de uma generosidade sem limites e de um altruísmo incansável. Disso são exemplos as inúmeras vezes que pagou do seu bolso medicamentos a clientes amigos que não podiam pagar; ou as frequentes deslocações ao fim de semana, no seu período de descanso, às casas de alguns clientes para lhes administrar injecções, entregar medicamentos, medir tensões arteriais, fazer curativos, etc… Esta singular maneira de agir, quotidianamente, levava a que muitos o considerassem um autêntico “Dr. Lopes dos ajudantes de Farmácia”. Com espantosa facilidade em fazer amizades, via em cada cliente um amigo, tratando todos de igual forma, do mais rico ao mais pobre. Devido a problemas de saúde vê-se forçado a apresentar baixa, por diversas vezes, sendo a última em Maio de 2008, terminando, assim, uma colaboração familiar com os seus patrões de sempre. Foram cinquenta e dois anos e meio de uma dedicação incansável, sempre ao serviço dos mais pobres e necessitados. Uma vida inteira a trabalhar, quase sempre, no mesmo local; e, sempre, para a mesma família, resultaria numa identificação muito forte do Naicinho com a Farmácia Chagas. A Farmácia confundia-se com a Naicinho, e o Naicinho confundia-se com a Farmácia. Viria a falecer, poucos dias depois de ter completado 64 anos de idade. Pela sua entrega, dedicação, lealdade e amizade, bem como por todo o seu profissionalismo e saber evidenciados e praticados junto da comunidade, consecutivamente, ao longo de mais de cinco décadas, decidiu a Autarquia de Loulé atribuir esta Medalha Municipal de Mérito, a título póstumo, a Inácio Manuel Leal Mendes (Naicinho).