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LOULÉ SOLICITA ÀS AUTORIDADES DE SAÚDE UMA AVALIAÇÃO JUSTA DA SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DOS CONCELHOS COM FORTE DINÂMICA DE TURISMO

LOULÉ SOLICITA ÀS AUTORIDADES DE SAÚDE UMA AVALIAÇÃO JUSTA DA SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DOS CONCELHOS COM FORTE DINÂMICA DE TURISMO

Autarquia

21 de junho 2021

Autarca de Loulé promoveu conferência de Imprensa para alertar autoridades para efeitos de um recuo “injusto” no desconfinamento

O presidente da Câmara de Loulé reafirmou, em conferência de Imprensa, a urgência de ser corrigida a forma como é aplicado o cálculo da situação epidemiológica dos concelhos, bem como de acelerar o processo de vacinação na região. Estas duas matérias serão, de acordo com este responsável autárquico, decisivas para que o turismo algarvio se possa reerguer.

Depois de ter sido anunciado na quinta-feira, em Conselho de Ministros, a entrada de Loulé para a lista de concelhos de risco elevado, que, tal como outros 9 municípios, entre os quais Albufeira, irá recuar à fase anterior do desconfinamento, Vítor Aleixo emitiu um comunicado onde explica as razões de ser esta uma medida desfasada da realidade e que irá penalizar o concelho e a região. Mas na passada sexta-feira, o edil quis reforçar o apelo ao Governo e à Autoridade de Saúde para alterar as regras que não se compadecem com aquilo que é o contexto de um território virado para o turismo e, por isso mesmo, foi num emblemático parque aquático do concelho, visitado anualmente por milhares de turistas, e que devido a estas regras deverá agora encerrar portas, que promoveu esta conferência com a Comunicação Social.

Ao lado de muitos empresários ligados ao setor do turismo e dos presidentes das juntas de freguesia de Quarteira e Almancil – as freguesias onde esta atividade é mais marcante – Vítor Aleixo lamentou a decisão “que afeta fortemente a atividade económica de uma região que dá um contributo importantíssimo para o PIB nacional”.

O autarca apela aos responsáveis governamentais e da Saúde para que seja “retificado um erro” que está a pôr em causa toda a economia local: por um lado, que os casos positivos de turistas nacionais que se encontrem de férias no concelho sejam contabilizados nos concelhos onde têm a sua residência oficial; e por outro lado, que os visitantes estrangeiros que se encontram alojados nas unidades hoteleiras do concelho sejam incorporados na população total deste município, até porque o número de 70 mil habitantes triplica durante a época alta do turismo, o que não está a ser tido em conta nesta aritmética. “Nesse cálculo o numerador deve incidir sobre o denominador mais alargado e esse denominador não deve ser apenas a população natural daqui, mas deve também incluir os turistas que se encontram nesse dia no concelho para serem apurados os casos positivos da forma mais correta”, explicou Vítor Aleixo. E essa até seria uma situação fácil de gerir, já que “todas as unidades hoteleiras sabem, ao dia, quantos são os residentes estrangeiros que estão a ocupar as suas instalações”.

Esta é, de resto, uma situação que é válida para toda a região, dado o peso do turismo, e que não exclusiva de Loulé. Se neste momento apenas Loulé e Albufeira fazem parte dos concelhos que recuam às regras da fase anterior, em breve outros municípios algarvios poderão engrossar esta lista (Lagos, por exemplo, já se encontra em alerta).

“Há uma semana atrás uma situação que, não sendo boa, era apesar de tudo aceitável e permitia ao tecido empresarial do nosso concelho alimentar esperança para o futuro, neste momento, com a regressão decretada através dessas medidas, o sentimento é de enorme preocupação”, atenta o presidente do município louletano.

O autarca deixou igualmente um pedido ao Governo e às autoridades de Saúde Pública para que o plano de vacinação em Loulé e no Algarve possa ser acelerado até porque considera ser “incompreensível” que esta seja uma das regiões mais atrasadas nesta matéria, uma vez que é ponto de circulação de pessoas de todo o mundo “Essa seria uma medida muito positiva porque permitiria transmitir, por um lado, um sentimento de aumento de segurança, e por outro, o aumento da resiliência da região face à pandemia”, ressalvou.

Dando voz à angústia dos empresários, Vítor Aleixo referiu ainda ser necessário olhar agora mais para a economia e não só para a situação epidemiológica. “É preciso que alguma coisa seja feita para alterar esta situação, não deixemos para mais tarde pois o Algarve não aguenta outro período de restrições à retoma gradual da atividade económica”, voltou a alertar.

Refira-se que, depois de ter registado, por duas semanas consecutivas, mais de 120 casos por 100 mil habitantes, passam agora a vigorar em Loulé as regras anteriores à atual fase, como é o caso do teletrabalho obrigatório sempre que possível, o encerramento da restauração às 22h30, o comércio a retalho alimentar e não alimentar até às 21h00 ou a realização de espetáculos culturais até às 22h30.

“Por exemplo, na restauração, faz toda a diferença fechar às 22h30 ou à 01h00. Isto tem um efeito económico verdadeiramente devastador”, disse ainda Vítor Aleixo.